Reformador, dezembro 1948, p. 281
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O candidato intelectualIrmão X Conta-se que Jesus,
depois de infrutíferos entendimentos com doutores da Lei, em Jerusalém,
acerca dos serviços da Boa-Nova, foi procurado por um candidato ao novo
Reino, que se caracterizava pela profunda capacidade intelectual. Recebeu-o o Mestre, cordialmente, e, em seguida às
interpelações do futuro aprendiz, passou a explicar os objetivos do
empreendimento. O Evangelho seria a luz das nações e consolidar-se-ia à custa
da renúncia e do devotamento dos discípulos. Ensinaria aos homens a retribuição
do mal com o bem, o perdão infinito com a infinita esperança. A Paternidade
Celeste resplandeceria para todos. Judeus e gentios converter-se-iam em
irmãos, filhos do mesmo Pai. O candidato inteligente,
fixando no Senhor os. olhos arguciosos, indagou: — A que escola filosófica obedeceremos? — Às escolas do Céu —
respondeu, complacente, o Divino Amigo. E outras perguntas choveram, improvisadas. — Quem nos presidirá à
organização? — Nosso Pai Celestial. — Em que bases
aceitaremos a dominação política dos romanos? — Nas do respeito e do
auxílio mútuos. — Na hipótese de sermos
perseguidos pelo Sinédrio, em nossas atividades, como proceder? — Desculparemos a
ignorância, quantas vezes for preciso. — Qual o direito que
competirá aos adeptos da Revelação Nova? — O direito de servir
sem exigências. O rapaz arregalou os
olhos aflitos e prosseguiu indagando: — Em que consistirá,
desse modo, o salário do discípulo? — Na alegria de praticar
a bondade. — Estaremos
arregimentados num grande partido ? — Seremos, em todos os
lugares, uma assembleia de trabalhadores atentos à Vontade Divina. — O programa? — Permanecerá nos
ensinamentos novos de amor, trabalho, esperança, concórdia e perdão. — Onde a voz imediata de
comando? — Na consciência. — E os cofres mantenedores
do movimento ? — Situar-se-ão em nossa
capacidade de produzir o bem. — Com quem contaremos,
de imediato? — Acima de tudo com o
Pai e, na estrada comum, com as nossas próprias forças. — Quem reterá a melhor
posição no ministério? — Aquele que mais
servir. O candidato coçou a
cabeça, francamente desorientado, e continuou, finda a pausa: — Que objetivo
fundamental será o nosso? Respondeu Jesus, sem irritar-se: — O mundo regenerado,
enobrecido e feliz. — Quanto tempo
gastaremos? — O tempo necessário. — De quantos
companheiros seguros dispomos para início da obra? — Dos que puderem compreender-nos e quiserem
ajudar-nos. — Mas não teremos recursos de constranger os
seguidores à colaboração ativa? — No Reino Divino não há violência. — Quantos filósofos, sacerdotes e políticos nos
acompanharão? — Em nosso apostolado, a condição transitória não
interessa e a qualidade permanece, acima do número. — A missão abrangerá quantos países? — Todas as nações. — Fará diferença entre senhores e escravos ? — Todos os homens são filhos de Deus. — Em que sítio se levantam as construções de
começo? aqui em Jerusalém? — No coração dos aprendizes. — Os livros de apontamento estão prontos? — Sim. — Quais são? — Nossas vidas. O talentoso adventício continuou a indagar, mas
Jesus silenciou, sorridente e calmo. Após longa série de interrogativas sem resposta, o
afoito rapaz inquiriu, ansioso: — Senhor, porque não esclareces? O Cristo afagou-lhe os ombros inquietos e afirmou: — Busca-me quando
estiveres disposto a cooperar. E, assim dizendo,
abandonou Jerusalém na direção da Galileia, onde procurou os pescadores
rústicos e humildes que, realmente, nada sabiam da cultura grega ou do
direito romano, mantendo-se, contudo, perfeitamente prontos a trabalhar com
alegria e a servir por amor, sem perguntar . (Mensagem recebida pelo
médium Francisco Cândido Xavier.) |
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